MTA: Janeiro 2010

Rita Lello e Pedro Giestas na abertura da Mostra


Foto: Luís Rocha

A 14ª edição da Mostra de Teatro de Almada arranca no dia 5 de Fevereiro de 2010 com a presença dos actores Rita Lello e Pedro Giestas, da Companhia de Teatro A Barraca.

O programa de abertura da Mostra, no Fórum Municipal Romeu Correia, tem início às 21h, na Praça da Liberdade, com o espectáculo “Theatron”, um elogio às profissões do teatro, apresentado pela Companhia de Artes de Animação e do Teatro de Rua Artelier?.

Às 21h30, no Auditório Fernando Lopes-Graça, sobem ao palco os actores Rita Lello e Pedro Giestas para apresentar “Peça para dois”. A encenação deste texto enigmático de Tennessee Williams, sobre os limites do teatro e da vida, é de Rita Lello, que depois do espectáculo ficará para uma conversa com o público.

Até ao dia 27 de Fevereiro, o Teatro mostra-se em Almada!

STELLA – teatro breve, pelo Teatro & Teatro – ACOME (Associação Cultural O Mundo do Espectáculo)

STELLA – teatro breve
de Stella Manaut ESTREIA
27 Fev 2010, Sáb. 21h30
Auditório Fernando Lopes-Graça
M/12

Tradução: Teatro & Teatro;
Encenação: Manuel João; Intérpretes: Andreia Barreiro, Inês Possante, Nádia Mota, Pedro Gonçalves e Rita Miranda; Figurinos: Teatro & Teatro; Fotografia: Andreia Barreiro; Grafismo: Rita Miranda; Luz e Selecção de Som: Manuel João; Cenografia: Colectivo Teatro & Teatro; Produção executiva: ACOME - Associação Cultural O Mundo do Espectáculo.

A partir de três peças breves de Stella Manaut, autora dramática da nossa vizinha Espanha, o grupo Teatro & Teatro – ACOME, cria um espectáculo bem disposto, sensível e emocionalmente interveniente.

“Stº António de Florida” leva-nos a um reencontro depois duma história interrompida. Saber que nunca é tarde demais. “Cinzas do defunto” e “O Bebé Proveta” trazem-nos um humor irreverente, cáustico. São três histórias que nos obrigam a reflectir, levando o espectador do sorriso à gargalhada.

Auto da Barca do Inferno, pelo Teatro da Academia

AUTO DA BARCA DO INFERNO
Adaptação livre de Gil Vicente
ESTREIA27 Fev 2010, Sáb. 17h00
Salão de Festas da Incrível Almadense
M/6

Autor: Mário da Costa; Encenação: Claudia Negrão; Intérpretes: Melissa Silva, Sandra Catarino, Bruno Oliveira, João Vasco Balegas, Dione Santos, Inês Cabau, Filipe Cabau e João Ribeiro; Figurinos: Débora Balegas; Luz, Som, Operação de Luz e Som: Ricardo Trindade; Cenografia: Hugo Migata; Produção Executiva: Fernanda Leitão.

A intemporalidade do Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente é recuperada nesta adaptação muito contemporânea e muito divertida feita pelo grupo de teatro Viv’Arte da Escola Secundária de Oliveira do Bairro. O texto atravessa o tempo até aos dias de hoje trazendo algumas novas personagens e alguns novos diálogos numa delirante composição e sempre com uma acutilante perspectiva sobre a sociedade contemporânea. Um texto divertido e animado com a ironia e a crítica de Gil Vicente.

Bom Apetite!, pelo Crème de la Crème

BOM APETITE!
de Anabela Mira e Pepa Diaz Meco ESTREIA
26 Fev 2010, Sex. 21h30
Auditório Fernando Lopes-Graça
M/12

Encenação: Pepa Diaz Meco; Intérpretes: Anabela Mira; Dramaturgia: Pepa Diaz Meco e Óscar Clemente; Figurinos: Colectivo; Fotografia: Paulo Maria (Interslide); Grafismo: Neco; Luz: Jochen Pasternaki; Operação de Luz e Operação de Som: Gi Carvalho; Cenografia: Paulo Robalo; Produção executiva: Paula Oliveira e Paula Fernandes.

Bom Apetite! é um espectáculo de comédia. Através do riso chega-se à tragédia para contar as desventuras de uma empregada de mesa, no seu magnífico momento de stress, num restaurante em hora de ponta!

Este é o ponto de partida para reivindicar o ÓCIO, como o entendiam os romanos. O Ocium era o tempo dedicado às artes, à espiritualidade, à contemplação, à reflexão – considerado o verdadeiro impulsionador do desenvolvimento da sociedade. Em oposição, o Negocium era o tempo usado para trabalhar – fundamental para que este desenvolvimento se realize. Neste espectáculo, questionamos se vivemos para trabalhar, se trabalhamos para comprar ou se trabalhamos para viver.

A Casa de Bernarda Alba, pelo'O Grito

A CASA DE BERNARDA ALBA
de Federico García Lorca
25 Fev 2010, Qui. 21h30
Auditório Fernando Lopes-Graça
M/12

Tradução: O Grito;
Encenação: Anabela Neves; Intérpretes: Ana Califórnia, Ana Rodrigues, Carla Silva, Edna Rosa, Jeff Oliveira, Marta Valente, Pedro Bernardino, Rui Arcílio, Rúben Lima, Susana Rodrigues Figuração Especial: Glória Santos, Jane Vieccelli, Lúcia Carvalho, Mila Rana, Xana Lourenço; Coro: José Borralho, Daniel Marina, Francisco Sargento, Joaquim Avó, Adelino Pinto, Luís Moisão; Dramaturgia: Anabela Neves; Figurinos: Anabela Neves, São – Loja dos Farrapos; Fotografia: Mafalda; Grafismo: Jorge Xavier e Carlos João; Ambientes Cénicos e Operação de Luz: Jorge Xavier; Sonoplastia e Operação de Som: Carlos João, Gonçalo Silva, Gonçalo França; Caracterização: Graça Neves; Produção executiva: Pedro Bernardino, Susana Rodrigues.

Depois da morte de seu marido, Bernarda Alba impõe às suas cinco filhas, como luto, uma longa e rigorosa reclusão. Trata-se de uma tradição levada a extremos.

Os conflitos, as forças, as paixões engrandecem-se, desenvolvem-se até à exasperação. Catalisador das forças encerradas na casa será a figura de Pepe Romano, noivo de Angústias, a filha mais velha, e objecto da paixão e desejo de Adela e Martírio, desencadeando-se assim uma disputa cruel e perigosa para conquistarem o amor desse homem com consequências trágicas.

É neste contexto que García Lorca nos transporta para um tema intemporal, onde a exigência dos padrões sociais fala sempre mais alto do que a natureza humana, na sua face mais bondosa e nos catapultam para o sofrimento do quotidiano, aqui levado até ao limite.

Vemo-nos assim perante a eterna dualidade entre os padrões sociais e morais e a liberdade individual, num quadro em que a pressão da sociedade sobre o indivíduo, seja sob a forma da moral ou sob a forma dos costumes, pode conduzir, no limite, à tragédia, já não individual, mas social.

O tema é intemporal: nega-se a individualidade nas suas diferenças que constituem o colorido do todo social, para ajustar cada individuo a um padrão rigoroso, onde o sucesso tem malhas apertadas de beleza, de moda, etc., onde a exclusão social ganha quase sempre.

Tartarugas e Migração, pelo Novo Núcleo Teatro da FCT

TARTARUGAS E MIGRAÇÃO
de Sandra Hung ESTREIA
25 Fev 2010, Qui. 21h30
Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa
M/6

Encenação e Cenografia: Sandra Hung; Intérpretes: Marta Vieira, Carolina Thadeu, Mariana Cardoso, Andreia Duarte, Sofia Esteves, Rafaela Pereira; Dramaturgia: Sandra Hung; Figurinos, Grafismo, Operação de Luz, Som e Operação de Som: NNT; Fotografia NuFoto; Produção executiva: NNT.

Trata-se de um projecto de investigação e criação teatral que pretende utilizar o corpo do actor e as suas possíveis limitações e/ou aptidões como pontos de partida à criação teatral.

Com Tartarugas e Migração contaremos histórias de um corpo, de uma família, de um país à medida que confeccionamos uma refeição.

Vende-se País solarengo com vista para o mar, de Cláudia Dias

Ninho de Víboras apresenta:

VENDE-SE PAÍS SOLARENGO COM VISTA PARA O MAR
de Cláudia Dias ESTREIA
25, 26 e 27 Fev de 2010
Qui., Sex. e Sáb. 21h30
Casa Municipal da Juventude de Cacilhas
M/6

Direcção: Cláudia Dias; Assistência de Direcção: Márcia Lança; Participantes: Ângela Ribeiro, Ana Trincão, Cátia Leitão, Dora Vicente, Karenina de los Santos, Maria João Garcia, Sílvia Pinto Coelho, Susana Gaspar e Tiago Gandra. Responsável espaço cénico: Walter Lauterer; Produção executiva: Maria João Garcia; Produção: Ninho de Víboras.

Apoios: Câmara Municipal de Almada
Projecto financiado pela Direcção Geral das Artes / Ministério da Cultura


Vende-se País solarengo com vista para o mar é o trabalho resultante do projecto de formação na área da Composição Coreográfica, orientado pelas coreógrafas Cláudia Dias e Márcia Lança, desde Setembro de 2009, na Casa Municipal da Juventude – Ponto de Encontro.

Este projecto alicerçou-se numa aprendizagem em situação, onde os alunos foram convidados a vivenciar todas as etapas do processo criativo, desde o momento detonador até à apresentação pública.

É uma peça exploratória de uma só imagem – a construção de uma planta – até ao surgimento de uma dramaturgia e de uma narrativa que emergem da leitura por parte do espectador.

Avesso, pel'A Menina dos Meus Olhos - Associação Cultural

AVESSO de Marina Nabais
21 Fev 2010, Dom. 18h00
Auditório Fernando Lopes-Graça
M/8

Interpretação e co-criação: Alban Hall e Susana Gaspar; Dramaturgia: Manuela Pedroso; Figurinos: Iñaki Zoilo; Fotografia, Grafismo e Operação de Luz: F. Ribeiro; Luz: Daniel Worm; Sonoplastia: Rui Dâmaso; Operação de Som: Marina Nabais; Cenografia: Iñaki Zoilo; Coreografia: Marina Nabais em colaboração com Alban Hall e Susana Gaspar; Música Original: Margarida Mestre; Banda sonora original criada a partir das vozes de: Alban Hall, Susana Gaspar, Margarida Mestre e Marina Nabais; Produção Executiva: A Menina dos Meus Olhos, Associação Cultural.

Outrora a pele foi o princípio do mundo e a fronteira entre mim e ti.
Tudo o resto foi criado a partir daqui.

Se os poros da nossa pele são como as janelas das nossas casas, o que é que vemos quando espreitamos?

Em Avesso, a pele é o tema principal. A pele do nosso corpo e das nossas roupas, a pele como casa, identidade ou planeta. Este universo em camadas é representado por uma "Instalação impermanente", onde o público é convidado a escolher o seu próprio espaço e a tornar-se parte da epiderme da peça. Dois bailarinos levam-nos numa viagem através deste "espaço do avesso". Exploram os limites dos seus corpos. Procuram formas de se conhecerem, de oferecer e esconder os seus segredos. Com as suas vozes, contam estórias sem palavras, utilizando uma linguagem pessoal. O resultado é um espectáculo sensual, às vezes frágil, às vezes desafiador. Mas sempre com paixão e humor.

O que vemos então, quando espreitamos?
Talvez beleza, liberdade ou protecção?
Ou talvez nada?

É a curiosidade que entra na nossa pele.

Memórias de Embalar, pela Armadilha – Associação de Teatro e Música com Cultura

MEMÓRIAS DE EMBALAR
de António Rocha
ESTREIA
para crianças dos 0 aos 3 anos
21 Fev 2010, Dom.
11h00 – 0 aos 24 meses / 12h00 – 24 aos 36 meses
Local: Teatro Extremo

Encenação: António Rocha; Intérpretes: António Rocha, Katarzyna Pereira, Miguel Cintra, Maria João Costa; Figurinos e Cenografia: Arminda Moisés Coelho; Fotografia: Rui Rocha e Arminda Moisés Coelho; Grafismo: Rui Rocha; Luz, Operação de Luz e Operação de Som: Celestino Verdades; Som (música ao vivo): António Rocha, Katarzyna Pereira, Miguel Cintra e Maria João Costa; Música: António Rocha, Katarzyna Pereira, Miguel Cintra, Maria João Costa; Produção Executiva: Arminda Moisés Coelho; Preparação Vocal/Técnica Vocal: Victor Gaspar.

Este espectáculo não tem um texto, nem enredo. Desenrola-se à volta de canções sem palavras, cantos rítmicos e muito movimento. Num ambiente acolhedor, num círculo, pais e filhos ouvem “histórias musicais/memórias de embalar”. Neste espaço onírico, adormecem-se os bebés cantando, ou melhor, embalando. Como em qualquer memória, há momentos calmos e outros muito movimentados, mas tudo em grande brincadeira, embalando no berço do afecto. Assim, pais e filhos participam deste espectáculo, a cantar, a fazer movimentos ou somente a ouvir.

Baseado no modelo das sessões de orientação musical para bebés, a partir da Teoria da Aprendizagem Musical para Recém-nascidos e Crianças em Idade pré-escolar, de Edwin Gordon, e em estudos sobre desenvolvimento musical na 1ª infância, este espectáculo/workshop é essencialmente destinado a bebés e crianças pequenas, com a participação dos adultos que as acompanham. Em Memórias de Embalar propõe-se que o público seja divido entre a plateia e o palco, que terá capacidade para 12 adultos (acompanhantes do bebé/criança) e 12 bebés/crianças. Sugere-se que a plateia tenha uma capacidade máxima de 20 espectadores (adultos e/ou crianças a partir dos 7 anos).

Aconselha-se os pais/acompanhantes a usar roupa confortável e a trazerem meias anti-derrapantes (para o adulto e para a criança).

A Conferência e a Crítica do Tempo em Duo, pelo Cénico da Incrível Almadense

A CONFERÊNCIA E A CRÍTICA DO TEMPO EM DUO
de Alexandre Castanheira, Patricia Lima e Evaldo Rodrigues
ESTREIA
20 Fev 2010, Sáb. 21h30
Salão de Festas da Incrível Almadense
M/3

Encenação: Eugénia Conceição / CIA; Intérpretes: Henrique Santos, Daniel, Bruno Carvalho, Sónia Caiado, Lucília, Chico Gonçalves, Maria Carvalho, Evaldo Rodrigues e Patricia Lima; Dramaturgia: CIA; Figurinos: Alice Rolo e CIA; Grafismo: Caio Eduardo; Luz, som, operação de luz e som: José Carlos Santos; Cenografia: CIA; Produção Executiva: CIA.

O espectáculo inicia-se com uma “conferência” que, por diversos imprevistos, não chega a acontecer pois, excedido o tempo, tem de dar lugar à apresentação da peça “ A crítica do tempo em duo”. Esta peça gira à volta de um casal de brasileiros, emigrantes em Portugal, que tentam exaustivamente obter sucesso profissional. Nascimento e Nina são um casal moderno e demasiado previsível, com hábitos e costumes fixos e sem abertura. A concentração na profissão cega-os quanto à crise do casamento, o que mudará a partir do momento em que vão de férias para o Brasil, para um paraíso erótico por recomendação de um amigo.

Génova 01, pelo Teatro A Todos

GÉNOVA 01 de Fausto Paravidino ESTREIA
20 Fev 2010, Sáb. 21h30
Auditório Fernando Lopes-Graça
M/12
O espectáculo será precedido pela animação
Memória Viva Ou (Sabemos, Vimos, não Podemos Ignorar!)


GÉNOVA 01
Tradução: Alessandra Balsamo
Um trabalho de Amélia Joaquim, Francisco Almeida, Helena Guerreiro, Isabel Braga, Joana Henriques, Rita Lima, Rogério Pereira, Sónia Trindade, João Melo e Catarina Ramalho, com a colaboração de António Simão.

Uma foto estampada nas capas dos jornais a 21 de Julho de 2001 mostrava um jovem encapuçado, caído na rua, numa poça de sangue. Chamava-se Carlo Giuliani e tinha sido alvo, no dia anterior, do disparo da arma de um carabinieri durante as manifestações contra o G8 em Génova, Itália.

“Génova 01”, texto escrito por Fausto Paravidino, logo após os acontecimentos em Génova, é um relato desses acontecimentos feito por alguém que esteve lá. É um texto que confronta as diferentes versões sobre a responsabilidade da morte de um rapaz, sobre um mundo que se acredita possível sem a violência, a prepotência, a manipulação e o medo.


Memória Viva Ou (Sabemos, Vimos, não Podemos Ignorar!)
Esta Animação Teatral que precede o espectáculo Génova 01, a cargo de Helena Peixinho e Isabel Braga, pretende ser uma iniciação ao teatro e formar novos públicos. A apresentação será o resultado de ateliês de teatro (de expressão dramática, de música e de expressão plástica), abertos a alunos da Escola Secundária do Monte de Caparica e da Universidade Sénior de Almada (USALMA) e integrados no projecto LÍNGUA, CULTURA, CIDADANIA – ALReP.
Procurar-se-á partir de testemunhos do Encontro do G8, em Génova, em 2001, sobre os quais os jovens e adultos irão pesquisar, reflectir, criar, trazer o seu olhar sobre os acontecimentos que sustentam o espectáculo “GÉNOVA 01”, de Fausto Paravidino. Nos dias do espectáculo, a recolha de informação, os trabalhos realizados, serão expostos no hall do Teatro, durante todo o dia.

A Chuva, pelo Teatro ABC.PI

A CHUVA
a partir de “Estava em Casa e Esperava que a Chuva Viesse”
de Jean-Luc Lagarce
19 Fev 2010, Sex. 21h30
Casa Municipal da Juventude de Cacilhas
M/10

Tradução: Alexandra Moreira da Silva; Encenação: Laurinda Chiunge; Intérpretes: Ana Mota Ferreira, Helena Veloso e Tânia Leonardo; Dramaturgia: Laurinda Chiunge, Rui Teigão, Teatro ABC.PI; Figurinos: Sofia Raposo; Grafismo: SHAIKE; Luz e Operção de Luz: André Almeida; Som: Sancho Ferreira; Cenografia: Barros Gomes; Coreografia: Teatro ABC.PI; Produção Executiva: Laurinda Chiunge e Miriam Vieira.

Três mulheres, jovens mulheres, três irmãs entre a vida e a morte.
Paradas em si próprias, numa luta interior com a existência, procuram sobreviver àqueles que morrem ou se deixam morrer. Elas resistem e revelam-se enquanto a vida acontece. Desprendendo-se pouco a pouco dos laços passados, presentes e até mesmo futuros pela antecipação destes, vivem o impasse de uma resolução face à situação em que se encontram.

A vontade de viver e de alcançar os sonhos mais profundos tece a comunicação. O lugar da palavra revela a intimidade pura das suas humanidades presentes e presentificadas, em busca da felicidade. Através da partilha, de uma intimidade partilhada, a cena evolui e com isso o momento de decidir.

Entre “teias”, meandros, labirintos do ser ou não ser, as força das relações irrompem. De dentro para fora, vagueando entre o interior e o exterior, bailamos sedutoramente entre as palavras e o que elas trazem e nos fazem viver. E, através da arte do teatro enquanto arte total, construímos novos sentidos para o viver.

Esta vivência íntima e partilhada parte do silêncio e ao silêncio torna. No entremeio, numa fracção de segundo talvez, encontramo-nos Nós, face a face, (re)aprendendo um pouco melhor talvez... a riqueza da complexidade da vida que (re)clama ser simples, e que abre ao entendimento da condição humana, e da dádiva do amor.

O Tesouro

Teatro Extremo apresenta:

O TESOURO
Poema em movimento de Manuel António Pina
18 Fev 2010, Qui. 21h30
Auditório Fernando Lopes-Graça
M/6

Encenação: Fernando Jorge Lopes; Intérpretes: Bibi Gomes. Isabel Leitão, Rogério Jacques; Rui Ventura, Fernando Rebelo; Dramaturgia: Fernando Jorge Lopes; Figurinos: Alice Rolo; Fotografia: Sandra Ramos; Grafismo: Pedro Ferreira e Pedro Fidalgo – PF Image Project; Desenho de Luz: Celestino Verdades; Operação de Luz: Élio Antunes; Operação de Som: Sérgio Cardoso; Cenografia: Élio Antunes; Coreografia: Joana Bergano; Música: Miguel Cervini e Duarte Cabaça; Produção Executiva: Sofia Oliveira.

Uma turista visita um lindo país de clima agradável, mas os seus habitantes parecem ser um povo infeliz e solitário, aparentemente sob o peso de uma misteriosa tristeza. Que teria acontecido? Vozes sussurravam, na noite, que aquele povo tinha perdido o seu mais valioso tesouro: a Liberdade.

Son(h)o

Ninho de Víboras – Associação Cultural apresenta:

SON(H)O de Paulo Diegues
14 Fev 2010, Dom. 21h30
Auditório Fernando Lopes-Graça
M/4

Criação, Encenação, Espaço Cénico, Operação de Som e de Luz: Paulo Diegues; Intérpretes: Iolanda Laranjeiro; Guarda-Roupa: Paulo Diegues e Iolanda Laranjeiro; Fotografia de Cena: António Coelho; Grafismo: Paulo Diegues e Gabriel Orlando; Música : Miguel Fonseca; Produção executiva: Ninho de Víboras; Direcção de Produção: Karas.

Apoio: Escola Secundária Anselmo de Andrade e Junta de Freguesia de Benfica.

Um espectáculo multidisciplinar que pretende desconstruir uma célebre frase de Antoine de Saint-Exupéry: "o essencial é invisível para os olhos", usando o diálogo entre o teatro, a dança, o vídeo, a luz, e o som, na perspectiva de tornar visível aquilo que habitualmente apelidamos de "é o que eu sinto, não sei explicar", utilizando a ideia de ter sonhos, fantasiar, entregar-se a fantasias ou devaneios, iludir-se, ver em sonhos, imaginar, idealizar sonhar acordado, alhear-se da realidade, porque por vezes, o homem é mais sincero e rico na desordem dos sonhos que na consciência unitária do raciocinador acordado. Mas nós vivemos enquanto negamos o sonho e o tornamos inútil. A vida não é sonho, mas a urdidura dos sonhos pode iluminar e embelezar a trama da vida.

Entre o sono e o sonho é o lugar onde voamos... (Paulo Diegues)

Peregrinação

Associação Cultural Manuel da Fonseca apresenta:

PEREGRINAÇÃO de Nuno Gomes dos Santos
ESTREIA
14 Fev 2010, Dom. 17h00
Auditório Pluricoop
M/6

Encenação: Carlos Martins; Dramaturgia: Nuno Gomes dos Santos; Operação de Luz: João Ponte; Operação de Som: Nuno Coelho; Música: Nuno Gomes dos Santos; Produção Executiva: A.C.M.F.

“Peregrinação” é uma peça musical sobre Fernão Mendes Pinto. Um avô, quatro netos e mais alguns familiares (a mãe e a tia das crianças), falam sobre Fernão Mendes Pinto ao serão, porque a neta mais velha tem um trabalho a fazer sobre ele. O avô vai dizendo o que sabe sobre o autor da “Peregrinação” e socorre-se do próprio livro para pormenorizar coisas. Tudo isto é sublinhado por canções que reforçam a ideia de que foi o medo das coisas novas que fez com que chamassem a Fernão Mendes Pinto “Fernão Mentes? Minto!”.

A ideia de escrever esta peça para o Grupo de teatro da ACMF nasceu do facto de Fernão Mendes Pinto ter passado os últimos anos da sua vida no Pragal e aí ter escrito a sua “Peregrinação”. A mensagem que a peça pretende fazer passar é a de que não devemos rejeitar as coisas novas, mas tentar compreendê-las:

Se há medo do novo aqui
Já sei a razão
Porque dizem que menti
Mas eu não menti não!

Quantas artes, quantas manhas!

Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria apresenta
QUANTAS ARTES,
QUANTAS MANHAS!

de Gil Vicente
13 Fev 2010, Sáb. 21h30
Teatro Municipal de Almada – Sala Experimental
M/12

Encenação: Joaquim Lopes; Intérpretes: Francisco Alvarez, Mercês Costeira, Laura Apolinário, Catarina Oliveira, Joaquim Lopes, Ana Fialho, João Brás, Rui Cardoso, Henrique Viegas, Patrícia Monteiro; Dramaturgia e Cenografia: Joaquim Lopes; Figurinos: GITT; Luz: Vitor Azevedo; Operação de Som e Luz: Alex.

O espectáculo tem o propósito de evocar a arte, o saber e a obra de GIL VICENTE.

Com recurso ao ambiente da época, ao que historicamente é conhecido, faz-se salientar, a partir dos seus textos, os conhecimentos que possuía esta grande figura do teatro português sobre matérias tão variadas como o latim, a religião, a filosofia, além duma profunda agudeza de espírito na observação das atitudes humanas.

Os textos são apresentados com o propósito da descrição explicativa, segundo a ambiência vivida por GIL VICENTE. Várias cenas, retiradas dos seus Autos, são então sucessivamente representadas, com o cenário, a música, o guarda-roupa, consonantes com o estilo existente à época.

A representação realiza-se em cena tipo arena, a evocar o salão do palácio tal como acontecia no início do século XVI, com um pequeno palco num dos lados e, nos restantes, rodeada pelos assistentes ao espectáculo.

Em suma, um espectáculo que, esperamos, fascine, divirta, encante e, perdoe-se-nos a imodéstia, com a pretensão de também ensinar.

O Barbeiro de Sevilha

Companhia de Teatro de Almada apresenta:
O BARBEIRO DE SEVILHA
A partir de Rossini
13 Fev 2010, Sáb. 16h00
Teatro Municipal de Almada – Sala de Ensaios
M/4

Encenação e Dramaturgia: Teresa Gafeira; Intérpretes: João Farraia, Pedro Walter e Sofia Correia; Operação de Som e Luz: Paulo Horta; Cenografia: Fernando Filipe; Música: Rossini; Títeres: Teresa Gafeira.

Num teatrinho de fantoches que reproduz o Teatro de S. Carlos procede-se à récita de O barbeiro de Sevilha, de Rossini. Os cantores são fantoches e os técnicos do teatro são os actores. Dos conflitos entre eles nasce um espectáculo paralelo: o da vida nos bastidores de um teatro.

Não se trata de um espectáculo de fantoches nem de actores, mas de um espectáculo de fantoches e actores, num mundo de música e efeitos teatrais em que a única regra é surpreender, divertir e maravilhar os mais novos.

A falta de um abraço faz de mim um palhaço

Teatro de Areia - Associação Cultural O Mundo do Espectáculo apresenta:

A FALTA DE UM ABRAÇO FAZ DE MIM UM PALHAÇO com textos e poesias de Adília Lopes e Clarice Lispector ESTREIA
12 e 13 Fev 2010, Sex. e Sáb.
21h30, Casa Municipal da Juventude de Cacilhas

M/14

Encenação, Figurinos, Luz e Operação de Som: Francis Seleck; Intérpretes: Ana Sofia Gonçalves, Ariana Manso, Cláudia Camilo e Joana Sabala; Costureira: Nando Casé; Operação de Luz: Ricardo Fontainhas; Som: Teatro de Areia; Vídeo: Ariana Manso; Operação de Vídeo: Joana Arez; Produção Executiva: Associação Cultural “O Mundo do Espectáculo”.

Perdemo-nos no caminho. Contudo, nele encontrámos o Jacques, o Jean-Luc e a Clarice. Passámos umas horas juntos e seguimos. Obrigado aos três pelo bocado. A gente vê-se, mais tarde. Avançámos devagar, às escuras. Tropeçámos nas nossas próprias palavras e com as receitas do Pingo Doce no bolso, mas faltavam ingredientes para cozinhar alguma coisa que nos apetecesse. Com fome, mas finas bocas.

Caminhámos, e de leituras em leituras cruzámo-nos com uma poesia desconcertante, irónica, lúdica, aparentemente ingénua, tingida por um humor subtil e ardiloso e tocada por um erotismo mental. A poesia de uma donzela a suspirar por um príncipe encantado caída aos trambolhões de um livro da Condessa de Ségur, uma poetisa pop dizem, uma popetisa. Adília Lopes do seu nome. Descobrimos e triturámos os poemas com as nossas cordas vocais. E depois os nossos corpos, as nossas bocas a tentar dizer os envolvimentos íntimos, sensíveis e afectivos, fazendo rimar espontaneidade e banalidade, humanidade e dignidade. Por fim, apesar de uma autêntica alegria e jubilação sentimos a ausência de qualquer coisa difícil de definir.

Velocidade Máxima



Murmuriu apresenta:

VELOCIDADE MÁXIMA de John Romão
7 Fev 2010, Dom. 21h30
Auditório Fernando Lopes-Graça

M/18

Concepção e direcção: John Romão; Dramaturgia: Mickael de Oliveira; Interpretação: John Romão e André, Leandro e Luís (três prostitutos brasileiros residentes em Lisboa); Pianista: Cláudia Teixeira; Espaço cénico: Diego Beyró e John Romão; Colaboração coreográfica: Elena Córdoba; Desenho de luz: Daniel Worm D’Assunção; Vídeo: Carlos Conceição; Design de projecções: Bruno Moreira Dias; Construção de máscaras: Cecília Sousa; Assistência de direcção: Neto Portela; Acompanhamento crítico: Paulo Raposo; Co-produção: Festival Citemor, La Laboral, Murmuriu, Penetrarte, ZDB.

Apoio: Câmara Municipal de Almada – Linha de Apoio 2009
Espectáculo financiado pelo Ministério da Cultura - Direcção Geral das Artes.


Velocidade Máxima destaca-se pelo seu conteúdo polémico e pela razão temática da sua existência no palco. O espectáculo tem como génese a vídeo-instalação "Voracidade Máxima" dos artistas Dias & Riedweg, objecto que coloca em evidência a problemática das identidades íntegras e integradas, o que existe nos hotéis ou nos apartamentos de luxo dos grandes centros urbanos, através do testemunho de prostitutos provenientes da América Latina.

Velocidade Máxima pretende abordar, por um lado, as identidades transnacionais, a prostituição masculina e a relação entre sexualidade/economia, e por outro, o papel do artista no mercado da arte. No espectáculo, estão em cena um actor/encenador (John Romão) e três prostitutos brasileiros residentes em Lisboa. Aquilo que existe em comum entre os quatro intérpretes é o rosto: os “garotos de programa” transportam uma máscara com o modelo da cara do actor/encenador. A máscara ora protege ora permite que todos estejam ao mesmo nível, reforçando a necessidade de se esconder a cara como um instrumento para falar do próprio sentido de Identidade e de Poder.

O Avarento

Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria (GITT) apresenta:

O AVARENTO de Molière
6 Fev 2010, Sáb. 21h30
Auditório Fernando Lopes-Graça

M/12

Tradução: António Couto Viana; Encenação: Carlos Alfredo Amaral; Intérpretes: Miguel Guru, Rita Miranda, João Brás, Carla Silva Nogueira, Luís Lopes, Pedro Bernardino, Ana Rodrigues, Ana Califórnia, Jefferson Oliveira, Carlos Alfredo Amaral; Dramaturgia: Carlos Alfredo Amaral; Luz: Vítor Azevedo; Operação de Luz e Operação de Som: Alexandre; Som e Música: Carla Silva Nogueira; Cenografia: Vítor Mioma; Figurinos, Fotografia, Grafismo, Coreografia e Produção Executiva: GITT.

Encenamos a comédia O Avarento, de Molière, que ridiculariza o carácter da personagem do rico e forreta Harpagão. Cenograficamente vamos alterando a disposição de várias arcas em cada acto. A trama desenvolve-se em cinco actos, centrados no âmbito das questões familiares suscitadas pela avareza de Harpagão, o qual valoriza mais a economia do que as relações humanas com os filhos, e com os outros em geral. No fim ele recebe uma lição da vida, pois vê a sua fortuna “roubada”. E ainda lamenta não casar com Mariana, que seu filho Cleanto desposará; enquanto Valério, que se introduzira como chefe dos criados na sua morada, acaba por cumprir o propósito de casar com a filha do avaro. Deste modo ela escapa ao matrimónio de conveniência com o rico e idoso Anselmo – vindo-se a descobrir que este é o pai do próprio Valério e da Mariana. No fim tudo se compõe e acaba bem, apesar de não se constatar a mudança total no carácter de Harpagão.

Molière tem uma concepção lúcida e irónica sobre a natureza humana, estigmatiza os vícios sem ignorar as qualidades potenciais e os efeitos benéficos do amor. N’O Avarento faz-se o retrato crítico de Harpagão, manifestando a obsessão deste pelo dinheiro, quer se trate de discutir um casamento, de oferecer uma reparação, ou de visitar a querida arca. Harpagão vai denunciando a sua má fé, orientando constantemente o seu propósito para si mesmo, ou para a sua obsessão, excluindo do discurso os interlocutores a quem se dirige. Deste modo, Molière evita criar uma relação simbólica entre eles, como se tratasse de um diálogo entre crianças. De forma cómica, portanto, o autor desmascara as personagens, mostrando a sua autenticidade interior. Moral da história: devemos evitar que a riqueza e o dinheiro interfiram nos relacionamentos humanos e que as ambições ceguem os nossos valores espirituais e morais.
(Carlos Alfredo Amaral)